Vale registra queda no Ebitda do terceiro trimestre COM desvalorização do minério

 Vale registra queda no Ebitda do terceiro trimestre COM desvalorização do minério

Reprodução / brasilmineral.com.br

A mineradora Vale divulgou seu balanço financeiro referente ao terceiro trimestre de 2026, revelando um cenário de desafios operacionais e de mercado. A empresa registrou um EBITDA Proforma de US$ 3,5 bilhões no período, o que representa uma retração de 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior e uma queda de 14% em relação ao trimestre imediatamente anterior. O desempenho foi pressionado principalmente pela redução nos preços de referência do minério de ferro e por fatores macroeconômicos externos.

Apesar da retração no indicador financeiro, a companhia manteve um ritmo consistente de investimentos, somando US$ 1,3 bilhão no trimestre. O montante está em linha com o patamar registrado no ano passado e mantém os aportes anuais previstos no limite inferior da faixa do guidance estabelecida entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões. A dívida líquida expandida encerrou o período em US$ 16,4 bilhões, registrando um recuo de US$ 200 milhões na comparação anual.

Desempenho de vendas e produção no mercado global

O volume de vendas de minério de ferro apresentou um leve avanço de 0,3% em relação ao ano anterior, totalizando 0,3 milhão de toneladas a mais, mesmo com a redução de 6% na produção no mesmo intervalo. As vendas de cobre recuaram 4% conforme o planejado, reflexo direto da reforma programada no moinho SAG de Sossego. Em contrapartida, o níquel registrou alta de 16,1% nas vendas, impulsionado por um incremento na produção.

As orientações de produção para o restante de 2026 foram integralmente reafirmadas pela administração. Os segmentos de cobre e níquel continuam indicando entregas na metade superior de suas respectivas faixas de projeção. A Brasil Mineral detalha que o portfólio da mineradora busca maior flexibilidade operacional para mitigar a volatilidade das commodities metálicas no cenário internacional.

Oscilação de preços e impacto nos custos operacionais

A precificação dos metais seguiu trajetórias distintas no mercado internacional durante o trimestre. O preço médio realizado para os finos de minério de ferro caiu para US$ 85,1 por tonelada, uma retração de 10% tanto na base trimestral quanto anual. A queda refletiu cotações de referência menores e ajustes temporários nas negociações.

Por outro lado, o cobre registrou forte valorização, com preço médio realizado de US$ 15.314 por tonelada, alta de 9% sobre o trimestre anterior e um salto expressivo de 56% na comparação anual. O níquel também apresentou ganhos em sua precificação líquida, alcançando US$ 16.898 por tonelada, amparado por prêmios elevados que compensaram os menores índices de referência.

Pressões inflacionárias e câmbio afetam despesas

Os custos operacionais da extração de minério de ferro sofreram pressões significativas da apreciação do real frente ao dólar e da alta nos preços dos combustíveis. O custo caixa C1 atingiu US$ 23,1 por tonelada, alta de 12% a/a, enquanto os custos all-in subiram para US$ 60,4 por tonelada, impactados também pelo encarecimento do frete marítimo.

No segmento de metais básicos, os custos do cobre continuaram em trajetória de melhora, registrando valores negativos de US$ 175 por tonelada devido a fortes receitas obtidas com subprodutos. Já os custos all-in do níquel avançaram 18% na base anual, atingindo US$ 14,5 mil por tonelada em decorrência de paradas para manutenções programadas.

Perspectivas e estratégia para o encerramento do ano

Segundo a liderança executiva da mineradora, os números refletem uma execução disciplinada da estratégia corporativa em um ambiente global dinâmico. A empresa destacou que o avanço de iniciativas como o projeto Serra Sul +20 e o comissionamento do Britador de Compactos consolidam a competitividade do complexo de Carajás.

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    Deo Martins