Caso Bebê Helena: Laudo Pericial Descarta Estupro e Redefine Rumo da Investigação em Fortaleza

 Caso Bebê Helena: Laudo Pericial Descarta Estupro e Redefine Rumo da Investigação em Fortaleza

Carla Sena/ Arte Metrópoles

A investigação sobre a trágica morte da bebê Helena Almeida, de apenas 10 meses, ganhou um novo e decisivo rumo em Fortaleza (CE) após a divulgação do laudo oficial da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). O documento, que veio a público na sexta-feira (17/7), descartou categoricamente a hipótese de violência sexual, que havia sido a principal linha de apuração, e apontou a asfixia mecânica indireta como a causa do óbito. Essa reviravolta redefine completamente o foco dos trabalhos policiais em um caso que tem mobilizado a atenção de todo o país.

Reviravolta Pericial: Estupro Descartado e Nova Causa de Morte Confirmada

O exame da Pefoce representou um ponto de inflexão na apuração. Quatro dias após o falecimento da criança, a perícia oficial apresentou conclusões que contradizem a avaliação clínica inicial. O laudo não encontrou qualquer sinal de violência sexual no corpo de Helena, nem identificou sêmen ou material genético dos dois investigados, Francisco Ray Magalhães e Roberto Levy Magalhães. Além disso, exames toxicológicos foram realizados e descartaram a presença de álcool ou drogas no organismo da bebê, consolidando a asfixia mecânica indireta como a causa da morte.

Essa constatação oficial levou a Polícia Civil a abandonar a linha de investigação de estupro de vulnerável seguido de morte. A nova direção concentra-se, agora, em desvendar as circunstâncias precisas que levaram à asfixia, identificar o responsável pela fatalidade e determinar o enquadramento criminal adequado para os envolvidos.

O Novo Foco da Apuração Policial

Apesar de descartar o crime de estupro, a gravidade do caso permanece inalterada, e a apuração está longe de ser concluída. Os investigadores dedicam-se agora a uma minuciosa reconstrução dos últimos momentos de vida de Helena. As questões cruciais a serem respondidas são: onde a criança foi asfixiada, quais as circunstâncias exatas do evento, quem estava presente e se houve ação direta ou omissão por parte dos adultos responsáveis por seus cuidados.

Com a mudança na hipótese central, também se alteram as prioridades em termos de provas. Anteriormente, exames sexológicos e a coleta de material genético eram fundamentais. Agora, ganham relevância os laudos cadavéricos detalhados, as perícias no local onde a bebê esteve antes de morrer, os depoimentos de testemunhas, a análise de imagens de câmeras de segurança, a extração de dados de celulares dos envolvidos e uma reconstituição cronológica completa dos fatos para traçar um panorama claro dos acontecimentos.

Cronologia dos Fatos e as Primeiras Prisões

A tragédia de Helena teve início na segunda-feira (13/7), quando a bebê foi levada já sem vida a um hospital particular de Fortaleza pela mãe, Ysabelle Rodrigues. Em depoimento à polícia, Ysabelle relatou que estava em uma confraternização em um apartamento com Francisco Ray, seu 'ficante'. Ela havia colocado a filha para dormir em um quarto, mas posteriormente encontrou Helena em uma posição diferente, e afirmou ter visto Roberto Levy, primo de Francisco Ray, sobre a criança.

Inicialmente, a mãe acreditou que a bebê estivesse engasgada. Contudo, ao chegar ao hospital, a equipe médica identificou uma lesão anal que considerou compatível com violência sexual, o que levou ao acionamento imediato das autoridades. Com base nesse relatório médico, Francisco Ray Magalhães, de 22 anos, e Roberto Levy Magalhães, de 26 anos, foram presos em flagrante sob suspeita de estupro de vulnerável. Ambos apresentavam sinais de embriaguez no momento da condução à Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), e suas prisões em flagrante foram posteriormente convertidas em preventivas pela Justiça.

A Divergência entre Avaliações: Hospital Versus Perícia Oficial

Um aspecto crucial que deverá ser aprofundado na continuidade da investigação é a notável divergência entre a avaliação clínica realizada pela equipe médica no hospital e o laudo técnico-científico produzido pela Perícia Forense do Ceará. Enquanto o relatório hospitalar, base para as primeiras prisões e a linha de estupro, apontava para lesões compatíveis com violência sexual, o exame pericial oficial, com suas metodologias forenses, descartou completamente essa hipótese. Essa contradição será um ponto-chave para os investigadores, que precisarão compreender as razões para tamanha disparidade e como ela impacta as conclusões sobre o que realmente aconteceu com a pequena Helena.

A elucidação dessa discrepância é fundamental não apenas para a justiça do caso Helena, mas também para eventuais reflexões sobre os protocolos de avaliação inicial em hospitais versus as conclusões da medicina legal. A investigação prossegue, complexa e com a responsabilidade de desvendar a verdade por trás da morte da bebê.

Fonte: https://www.metropoles.com

    Deo Martins