Cientistas desvendam o zeptoverso e alcançam a menor escala subatômica já mapeada pela física

Visualização da decomposição de uma partícula de beleza em dois múons no zeptoverso • Federico Leo Rede/LHCb Collaboration/Divulgação
A pesquisa científica avança rumo aos limites mais profundos da realidade com a identificação de uma nova fronteira dimensional na física de partículas. A partir de experimentos complexos conduzidos recentemente, pesquisadores conseguiram mapear uma escala 100 bilhões de vezes menor que um átomo, marca inédita na história das explorações científicas sobre a estrutura fundamental da matéria.
O termo zeptoverso foi cunhado pelos físicos em alusão direta ao zeptômetro, unidade de medida que representa um trilionésimo de um bilionésimo de metro, expressa numericamente como 0,000000000000000000001 m. Essa dimensão microscópica representa o patamar mais profundo já alcançado pela humanidade na tentativa de compreender os blocos fundamentais que compõem o universo.
Colisões de alta energia e o Grande Colisor de Hádrons
Os testes fundamentais que permitiram o acesso a essa escala extrema foram realizados nas instalações do Grande Colisor de Hádrons, máquina monumental operada pela Organização Europeia para Pesquisa Nuclear situada na fronteira entre a Suíça e a França. O procedimento consiste em provocar colisões violentas entre átomos para fragmentá-los e analisar o que existe em seu interior profundo.
A obtenção desse resultado exigiu décadas de esforço técnico e analítico, somando 42 anos de buscas contínuas na área da física de alta energia. Devido à extrema complexidade do fenômeno, os especialistas estimam que o evento registrado possui uma probabilidade de ocorrência de apenas uma em 10 bilhões de tentativas, refletindo o rigor tecnológico necessário para a descoberta.
Mistérios da matéria escura e partículas instáveis
Um dos grandes incentivos para explorar essas dimensões subatômicas é a busca por respostas sobre a matéria escura, componente invisível que compõe cerca de 25% de todo o universo conhecido. Embora os cientistas saibam de sua existência por conta da influência gravitacional que exerce sobre a matéria comum na evolução de galáxias, sua formação exata permanece envolta em mistério por não interagir diretamente com a luz.
Durante as análises no acelerador de partículas, os pesquisadores observaram o comportamento de elementos altamente voláteis, como o quark beauty, também conhecido como quark bottom. Trata-se de uma partícula subatômica extremamente instável que existe por apenas 1,5 trilionésimo de segundo antes de passar por um processo de decaimento, transformando-se em partículas menores chamadas múons.
Investimentos bilionários e próximos passos na pesquisa
Diante do potencial revolucionário dessas observações, a comunidade científica já planeja os próximos passos para aprofundar o mapeamento do zeptoverso. A hipótese de que existam escalas ainda menores impulsiona o desenvolvimento de novas tecnologias de detecção e análise de dados no setor.
Para viabilizar a continuidade dos estudos e ampliar em dez vezes o registro dos decaimentos subatômicos, 28 países que integram o projeto concordaram em destinar um montante de 150 milhões de libras, o equivalente a cerca de R$ 1,1 bilhão, para a modernização profunda do detector LHCb.
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