Tribunal mineiro paralisa patrocínio de R$ 32 milhões da Cemig e Codemig para Cruzeiro, Atlético e América
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou a suspensão temporária de um aporte financeiro que totalizava R$ 32 milhões voltado para três dos principais clubes de futebol de Minas Gerais: América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro. A medida cautelar atinge diretamente contratos de patrocínio que seriam viabilizados por meio de empresas estatais mineiras, em um movimento que gerou forte repercussão no cenário político e esportivo regional.
A decisão do órgão de controle fiscal atendeu a um pedido formal apresentado pelo governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). Na representação, a gestão futura questionou a legitimidade da medida, que havia sido anunciada publicamente em setembro pelo governo liderado por Mateus Simões (PSD). O anúncio ocorreu justamente no período em que o governo federal impôs restrições e proibiu a operação e a publicidade de empresas de apostas esportivas, conhecidas como bets, que figuravam como a principal fonte de arrecadação financeira dos clubes de futebol.
A origem dos recursos estatais
Os valores milionários previstos nos contratos seriam repassados aos clubes por intermédio de duas importantes companhias do estado: a Companhia Energética do Estado de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). A estratégia consistia em direcionar parte das verbas que essas empresas estatais já destinam anualmente para campanhas de publicidade e valorização de suas respectivas marcas para os patrocínios esportivos.
Pela distribuição planejada inicialmente, o montante seria dividido de forma desigual, refletindo o peso comercial de cada equipe. Tanto o Atlético quanto o Cruzeiro faturariam cotas individuais de R$ 15 milhões cada, enquanto o América receberia uma fatia de R$ 2 milhões. Além do trio da capital, equipes do interior mineiro como o Athletic, de São João del Rei, atualmente na Série B, e o Uberlândia, que disputa a Série C, também figuravam na lista para receber auxílios financeiros em cotas menores.
Fundamentos da decisão do tribunal
O relator do processo no tribunal, conselheiro Licurgo Mourão, apontou em sua decisão que uma análise preliminar dos documentos revelou incompatibilidades jurídicas nos repasses. Segundo o magistrado, há indícios de divergência entre o objetivo real dos contratos de patrocínio públicos e a justificativa apresentada publicamente para a concessão da verba.
De acordo com o trecho destacado na decisão oficial do relator, os patrocínios estatais devem ter como foco principal o fortalecimento da marca e o retorno comercial para os interesses empresariais da estatal. Contudo, a iniciativa teria sido utilizada com a finalidade declarada de recompor as perdas financeiras sofridas pelos clubes após as recentes mudanças na legislação federal sobre as apostas esportivas.
Repercussão política e prioridades fiscais
Após a divulgação da suspensão, o governador eleito Cleitinho Azevedo utilizou suas redes sociais para comemorar o posicionamento do tribunal. Em um vídeo gravado para seus seguidores, ele justificou o questionamento com base na situação financeira delicada enfrentada pelas contas públicas do estado durante o período de transição administrativa.
O futuro gestor argumentou que a administração estadual relatou dificuldades financeiras iminentes para honrar compromissos básicos, como o pagamento dos servidores públicos e a garantia de merenda escolar nas instituições de ensino da rede pública. Afirmando que o estado atravessa um momento fiscal crítico, Cleitinho pontuou que não poderia concordar com o direcionamento de dezenas de milhões de reais para o futebol em detrimento de serviços essenciais à população.
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