Inteligência artificial avança na busca por imóveis e redesenha papel de corretores

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Comprar um imóvel continua sendo uma das decisões financeiras mais importantes da vida do brasileiro, mas a forma como essa jornada começa está mudando rapidamente. Dados da Morada.ai, plataforma de inteligência artificial voltada ao setor imobiliário, mostram que o volume de conversas entre interessados em unidades residenciais e incorporadoras pela ferramenta cresceu 79% nos últimos 12 meses. No entanto, apenas 1,3% das primeiras mensagens enviadas pelos usuários pedem o atendimento direto de um corretor humano.
A base analisada reúne interações de atendimento operado por inteligência artificial em cerca de 300 incorporadoras e loteadoras clientes da Morada.ai. Ao longo de 12 meses, entre outubro de 2025 e outubro de 2026, esse universo somou cerca de 2,77 milhões de conversas e aproximadamente 36 milhões de mensagens trocadas com consumidores em canais digitais como WhatsApp e chat. Embora não representem a totalidade do mercado nacional, os números oferecem um retrato claro de como parte dos compradores utiliza ferramentas automatizadas para iniciar a pesquisa por moradia.
O que busca o consumidor nas conversas digitais
As interações registradas ajudam a identificar quais informações os consumidores priorizam no início da jornada de compra e como essas demandas mudam conforme o padrão do empreendimento. No programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, 19,5% das conversas incluem perguntas diretas sobre financiamento. No médio e alto padrão, esse percentual cai para 8,6%, enquanto no altíssimo padrão fica em 8,3%.
O comportamento se inverte quando o assunto é o preço do imóvel. Entre os interessados em unidades de médio e alto padrão, o tema aparece em 54,4% das conversas, contra 33,7% no segmento econômico. Já a localização permanece como um dos principais critérios de busca geral, estando presente em até 65,9% das pesquisas realizadas pela inteligência artificial, dependendo da categoria do produto oferecido pelas construtoras.
Financiamento e o perfil do crédito imobiliário
Aproximadamente uma em cada dez interações geradas pelas plataformas envolve financiamento ou condições de crédito. Dentro desse grupo específico, 49% mencionam o preço do imóvel, 32% tratam de simulações financeiras e 21% abordam o valor necessário para a entrada. Referências diretas à taxa Selic ou aos juros aparecem em menos de 1% das conversas conduzidas pelos assistentes virtuais.
Para especialistas do setor, esses questionamentos refletem uma particularidade na comercialização de unidades econômicas. A necessidade de entender a capacidade financeira do comprador antes mesmo de definir qual imóvel ele poderá adquirir torna o processo mais consultivo. Como aponta a análise do mercado imobiliário brasileiro, vender habitação popular exige decodificar regras complexas de crédito para o cliente.
O valor estratégico da consultoria humana
Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 51% das unidades residenciais novas vendidas no segundo trimestre de 2026 estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, totalizando 58.392 imóveis comercializados. É justamente nesse segmento de maior volume que a atuação do corretor é vista como indispensável por lideranças do setor.
Enquanto compradores de maior renda costumam comparar empreendimentos de forma autônoma, parte do público de baixa renda sequer considera a compra por desconhecimento da própria capacidade de pagamento. Nesse cenário, o profissional atua para orientar o cliente sobre enquadramentos habitacionais e viabilizar o negócio, funcionando como um elo fundamental entre famílias, construtoras e agentes financeiros.
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