Dólar pode atingir R$ 5,60 com pressão fiscal e queda de até 30% na Bolsa

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A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca a trajetória das contas públicas no centro das atenções dos investidores internacionais e do mercado financeiro nacional. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), analistas do banco de investimentos Morgan Stanley avaliaram que o resultado das urnas deve exigir uma reprecificação dos ativos brasileiros, refletindo a menor probabilidade de mudanças profundas na condução da política econômica nos próximos anos.
A principal preocupação manifestada pelos estrategistas da instituição financeira concentra-se na sustentabilidade fiscal e na evolução da dívida pública. A combinação de compromissos assumidos ao longo da campanha eleitoral, a conhecida rigidez do orçamento federal e a projeção de desaceleração da atividade econômica acentuam os riscos fiscais para o ano de 2027, exigindo atenção redobrada dos agentes do mercado.
Projeções para o dólar e cenários de estresse cambial
No mercado de câmbio, o dólar tende a registrar uma trajetória de valorização gradual frente à moeda brasileira. Segundo a análise do Morgan Stanley, a divisa norte-americana deve testar inicialmente a marca de R$ 5,50, podendo alcançar patamares entre R$ 5,60 e R$ 5,70 à medida que os investidores passem a exigir um prêmio de risco fiscal mais elevado para manter capital no país.
Em um cenário de maior estresse, no qual os agentes econômicos vislumbrem o risco de dominância fiscal, a cotação do câmbio poderia escalar até o patamar de R$ 6,00. Os analistas relembram ainda que os meses de novembro e dezembro costumam apresentar fatores sazonais historicamente desfavoráveis ao real, o que pode intensificar eventuais movimentos de depreciação da moeda doméstica no curto prazo.
Perspectivas para a Bolsa de Valores e o mercado de juros
A análise do banco norte-americano projeta um cenário desafiador para o mercado de renda variável no Brasil. O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, pode passar por um processo de correção relevante, recuando para aproximadamente 130 mil pontos até meados de 2027. Essa movimentação representaria uma queda potencial de 20% a 30% em comparação com os níveis recentes, impulsionada pela compressão dos múltiplos de negociação das companhias.
Paralelamente, a curva de juros futuros deve sofrer uma elevação de pelo menos 300 pontos-base. Esse movimento reflete tanto o reajuste das expectativas quanto à redução das apostas de cortes na taxa Selic, somado ao prêmio de risco adicional atrelado à fragilidade das contas públicas. Apesar da pressão sobre as cotações, os lucros consolidados das empresas do Ibovespa devem manter certa resiliência, favorecidos pelo peso expressivo de companhias exportadoras e grandes instituições financeiras.![]()
Impactos no crédito soberano e dependência de sinalizações fiscais
O cenário de maior incerteza reflete-se também no mercado de crédito soberano. O relatório calcula uma abertura em torno de 50 pontos-base nos spreads dos títulos brasileiros emitidos em dólar, além de um avanço de cerca de 40 pontos-base nos contratos de CDS de cinco anos — indicador utilizado para mensurar o risco de calote do país — logo nas primeiras sessões de negociação.
O desempenho futuro dos ativos nacionais dependerá diretamente dos primeiros acenos do governo. A nomeação do próximo titular do Ministério da Fazenda, a definição de diretrizes de ajuste fiscal e a capacidade de negociação com um Congresso de perfil mais inclinado ao centro e à centro-direita serão determinantes para a estabilização do mercado, conforme informações divulgadas pelo portal InfoMoney.
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