Perigo na farmácia: uso prolongado de descongestionante nasal agrava entupimento

 Perigo na farmácia: uso prolongado de descongestionante nasal agrava entupimento

Reprodução

Procurar alívio imediato para o nariz entupido com o uso de descongestionantes nasais é um hábito comum, mas que esconde riscos sérios para a saúde respiratória. O que parece ser uma solução rápida pode evoluir rapidamente para um ciclo vicioso de dependência e inflamação, agravando ainda mais a obstrução das vias aéreas.

Especialistas alertam que o limite seguro para a aplicação dessas substâncias sem acompanhamento profissional é de poucos dias. Ultrapassar esse período abre espaço para complicações que exigem tratamento médico especializado.

Como o efeito rebote compromete a respiração

Os medicamentos conhecidos como descongestionantes contêm fórmulas à base de substâncias como oximetazolina e nafazolina. A principal função desses compostos é provocar a contração rápida dos vasos sanguíneos localizados na mucosa nasal, reduzindo o inchaço e facilitando a passagem do ar.

No entanto, quando utilizados de maneira repetida e por períodos prolongados, esses produtos geram o chamado efeito rebote. Como explica o otorrinolaringologista Dr. André Alencar, presidente da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial), o organismo reage de forma contrária, fazendo com que o nariz volte a entupir com ainda mais intensidade e levando o paciente a novas aplicações.

Esse comportamento repetitivo desencadeia a rinite medicamentosa, caracterizada pela inflamação crônica do tecido nasal. O uso contínuo transforma um alívio momentâneo em uma verdadeira necessidade química para conseguir respirar.

Riscos sistêmicos e alternativas para o diagnóstico

Disponíveis em farmácias tanto em formato de gotas quanto em apresentações orais presentes em fórmulas antigripais, os descongestionantes podem provocar reações que vão muito além do incômodo local. O uso inadequado está associado ao aumento da pressão arterial, alterações nos batimentos cardíacos, dores de cabeça persistentes, insônia e quadros de agitação.

Em situações extremas, a absorção dessas substâncias pode desencadear eventos graves, como convulsões e acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, a necessidade de recorrer ao frasco diariamente funciona como um claro sinal de alerta.

A dificuldade crônica para respirar pode estar ligada a fatores estruturais ou inflamatórios que exigem investigação profunda, conforme aponta a CNN Brasil. Condições como rinite alérgica, sinusite, desvio de septo, crescimento dos cornetos nasais e presença de pólipos necessitam de abordagens específicas que evitam o uso indiscriminado de vasoconstritores.

Caminhos para o tratamento e novas diretrizes médicas

Superar a dependência dos descongestionantes exige paciência e acompanhamento médico, já que a suspensão do produto costuma intensificar temporariamente a congestão nasal. O tratamento adequado pode incluir desde lavagens com solução salina e medicamentos intranasais específicos até intervenções cirúrgicas, dependendo de cada diagnóstico.

O debate sobre a evolução no diagnóstico e no manejo de enfermidades das vias aéreas é um dos destaques do 56º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, programado para ocorrer entre os dias 19 e 21 de novembro, na cidade de Curitiba.

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    Deo Martins