Mineração brasileira atrai US$ 600 milhões em investimentos para exploração de minerais

 Mineração brasileira atrai US$ 600 milhões em investimentos para exploração de minerais

Bolsa de Frankfurt

Enquanto grandes fusões e aquisições movimentam bilhões de dólares no setor de mineração, uma nova onda de capital ganha força em um estágio anterior da cadeia produtiva: o financiamento de empresas dedicadas ao desenvolvimento de projetos minerais. Desde julho de 2025, companhias que operam no Brasil captaram mais de US$ 600 milhões em bolsas de valores e aportes de investidores estratégicos, conforme levantamento da consultoria Alvarez & Marsal (A&M).

O montante é destinado a uma das fases mais arriscadas da mineração: a exploração. Antes de uma mina se tornar operacional, é preciso investir milhões de dólares em sondagens, estudos geológicos, testes metalúrgicos e avaliações econômicas. Como essas empresas, conhecidas como “juniors”, ainda não possuem receita operacional, elas dependem da entrada recorrente de capital para reduzir os riscos técnicos e provar a viabilidade comercial de suas descobertas.

A dependência do capital estrangeiro

Atualmente, a maior parte desses recursos que financiam o solo brasileiro provém de mercados externos. Exemplos recentes incluem a Amapá Minerals, que levantou C$ 140 milhões na Bolsa de Toronto em agosto, e a Alurion Resources, que captou A$ 50 milhões na Bolsa Australiana. No setor de terras raras, a Viridis Mining recebeu US$ 120 milhões para o projeto Colossus, em Minas Gerais, enquanto a Aclara Resources obteve US$ 50 milhões para o projeto Carina, em Goiás.

Para Rafael Marchi, Managing Director da A&M, a concentração dessas captações no exterior reflete diferenças estruturais profundas. “Taxa de juros muito alta incentiva o dinheiro na renda fixa, sem muito risco. Em Toronto e na Austrália, já existem mecanismos mais apropriados para a mineração, além de serem mercados mais acostumados com esse perfil de risco”, explica Marchi.

O modelo de risco e recompensa

O sucesso das “juniors” depende da capacidade de retornar ao mercado conforme atingem marcos técnicos. Uma campanha de sondagem bem-sucedida ou a conclusão de estudos econômicos valorizam a empresa, permitindo novas rodadas de captação. Esse modelo permite que investidores, incluindo fundos de previdência em países como a Austrália, financiem a exploração mesmo sabendo que parte dos projetos pode não avançar para a fase de produção.

Iniciativas para fomentar o mercado local

Para tentar reverter essa dependência e criar um mercado de capitais voltado à pesquisa mineral no Brasil, tramita na Câmara dos Deputados o PL 4.975/2023, de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ). O projeto propõe a criação das “Ações da Atividade de Pesquisa Mineral”, inspiradas no modelo canadense de “flow-through shares”.

O mecanismo permitiria que investidores deduzissem da base de cálculo do Imposto de Renda o valor investido em projetos de pesquisa, desde que os recursos sejam efetivamente aplicados na exploração. Embora a proposta seja vista como um passo importante, especialistas como Rafael Marchi avaliam que a maturação desse mercado no Brasil não ocorrerá no curto prazo. A expectativa é que o aumento do interesse dos bancos pelo setor mineral possa servir como catalisador para o desenvolvimento de um ecossistema financeiro mais robusto internamente.

O Infopebas segue acompanhando de perto as movimentações do mercado de capitais e os desdobramentos da política mineral brasileira. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas e dados sobre os setores que impulsionam a economia nacional.

    Deo Martins