Com ampla margem, Jorginho Mello é reeleito governador de Santa Catarina

Ao longo dos próximos quatro anos, Jorginho será acompanhado pelo ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo), eleito vice-governador
Jorginho Mello (PL), de 70 anos, foi reeleito governador de Santa Catarina neste domingo (4), consolidando sua liderança no estado com uma vitória expressiva. O resultado, confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com mais de 80% das urnas apuradas, mostrou Mello com 68,3% dos votos válidos. Seus principais oponentes, Gelson Merísio (PSB), que contava com o apoio do PT, obteve 15,9%, e João Rodrigues (PSD) alcançou 13,7%.
A reeleição de Mello para os próximos quatro anos reafirma uma tendência política em Santa Catarina, que tem demonstrado uma forte inclinação a candidatos alinhados com o espectro da direita e o bolsonarismo. Ao seu lado, como vice-governador, estará Adriano Silva (Novo), ex-prefeito de Joinville, que assume o posto antes ocupado por Marilisa Boehm (PL) na chapa de 2022.
A Trajetória Política de Jorginho Mello e a Consolidação de um Projeto
A carreira política de Jorginho Mello é marcada por uma ascensão gradual e estratégica, que o levou do cenário municipal ao governo do estado. Nascido em Ibicaré, na região central catarinense, Mello iniciou sua vida pública como vereador em Herval d’Oeste no final da década de 1970. Sua trajetória seguiu com a conquista de uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina em 1994, onde permaneceu por quase duas décadas, até janeiro de 2011.
Posteriormente, foi eleito deputado federal por duas vezes consecutivas, nos pleitos de 2010 e 2014, antes de alcançar o Senado em 2018. Essa experiência multifacetada em diferentes níveis do Legislativo pavimentou seu caminho para o Executivo estadual. Durante seu primeiro mandato como governador, Mello manteve uma linha de fidelidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo-o publicamente e implementando políticas alinhadas a essa vertente ideológica, como a tentativa de acabar com cotas raciais em universidades e a sanção de uma lei para anistiar professores que se recusaram a se vacinar durante a pandemia de Covid-19.
Apesar de sua disciplina programática recente, a trajetória de Mello também revela momentos de realinhamento político, como o apoio a Dilma Rousseff (PT) em 2014, seguido por um rompimento com os petistas e o voto favorável ao impeachment da ex-presidente. Em 2019, já como senador, ele abraçou o movimento político que ganhava força na época, destacando-se nacionalmente como parte da “tropa de choque bolsonarista” na CPI da Covid-19.
O Cenário Eleitoral Catarinense e a Influência do Bolsonarismo
A reeleição de Jorginho Mello não é um fato isolado, mas sim a continuidade de um padrão eleitoral em Santa Catarina. Esta é a terceira eleição consecutiva em que os catarinenses elegem um governador que carrega o mesmo alinhamento político do presidenciável bolsonarista. Em 2018, Carlos Moisés, então filiado ao PSL, partido de Jair Bolsonaro, surpreendeu ao vencer Gelson Merísio no segundo turno, que representava a centro-direita tradicional.
Apesar de Moisés ter rompido com o bolsonarismo durante seu mandato e não ter conseguido a reeleição em 2022, ficando em terceiro lugar, o vencedor daquele ano foi justamente Jorginho Mello, que obteve 38,61% dos votos no primeiro turno e derrotou Décio Lima (PT) no segundo turno com mais de 70% dos votos. A campanha de Mello neste ano, que o manteve na liderança de todas as pesquisas de intenção de voto da Quaest desde agosto, reforça a força desse eleitorado no estado.
Os Desafios da Oposição e as Mudanças de Rumo Político
A disputa pelo governo catarinense também foi marcada pelas trajetórias e estratégias dos oponentes de Mello. Gelson Merísio, que em 2018 disputou com Carlos Moisés para provar quem era mais bolsonarista, mudou significativamente seu posicionamento político. Neste ano, concorreu com o apoio do PT, e sua aproximação com o lulismo foi notável, a ponto de o presidente Lula o descrever como seu “Engels” em um comício em Florianópolis. Merísio, que foi vereador em Xanxerê e deputado estadual por vários mandatos, chegando a presidir o parlamento, buscou vincular-se ao lulismo com o mote “seremos resistência”, na tentativa de replicar o sucesso de Décio Lima (PT) em 2022.
João Rodrigues, ex-prefeito de Chapecó, também integra o campo da direita radical e se apresentou como uma alternativa. Sua carreira inclui passagens como vice-prefeito e prefeito de Pinhalzinho, além de deputado estadual e federal. A campanha de Mello, no entanto, utilizou um episódio de 2018 em que Rodrigues foi preso sob suspeita de dispensa irregular de licitação em 1999 – embora tenha sido inocentado por unanimidade pelo STJ em 2020. A publicidade televisiva do PL também incluiu Rodrigues em um compilado de vídeos de prefeitos agradecendo ao governador por sua política municipalista, buscando neutralizar sua candidatura. Rodrigues, por sua vez, demitiu seu marqueteiro no início da campanha, seguindo sem um nome do marketing político.
Além dos três principais nomes, outros cinco candidatos se apresentaram para a disputa: o professor Marcus Sodré (PSTU), a psicóloga Laís Chaud (UP), o empresário Marcelo Brigadeiro (Missão), o advogado Ralf Zimmer (PRD) e o trabalhador da construção civil Bruno Pedreiro (PCO), que completaram o quadro da eleição.
Perspectivas para o Novo Mandato e o Cenário Político
A reeleição de Jorginho Mello em Santa Catarina sinaliza a continuidade de uma agenda política conservadora e alinhada ao bolsonarismo no estado. Com um mandato renovado e uma base de apoio consolidada, espera-se que o governador prossiga com as políticas e projetos iniciados em sua primeira gestão, com foco em temas como a gestão pública e a defesa de pautas consideradas de direita. A presença de Adriano Silva como vice-governador também pode indicar uma busca por maior capilaridade política e administrativa, dada sua experiência como gestor municipal.
Este resultado eleitoral em Santa Catarina, um estado com forte representatividade no cenário nacional, pode reverberar nas discussões políticas futuras, especialmente em um contexto de polarização e redefinição de forças políticas no Brasil. A consolidação de lideranças como Mello reforça a importância das dinâmicas regionais na composição do panorama político nacional.
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