Agosto Dourado: Amamentação – o elixir essencial para a saúde de mães e bebês

O Liberal
O mês de agosto é tradicionalmente marcado pelo ‘Agosto Dourado‘, uma campanha de conscientização dedicada à promoção e valorização do aleitamento materno. Neste período, especialistas reforçam que a amamentação transcende a mera nutrição, configurando-se como um pilar fundamental para o desenvolvimento infantil e para o bem-estar materno. A médica pediatra e professora Carmen Elias destaca a amplitude desses benefícios, que impactam positivamente a saúde física, emocional e até mesmo econômica das famílias.
Os inúmeros benefícios do aleitamento materno para mãe e bebê
Para a criança, o leite materno é um escudo protetor contra uma vasta gama de doenças, fornecendo anticorpos e nutrientes vitais para um desenvolvimento robusto. Ele contribui diretamente para a formação adequada da dentição, estabelece as bases para hábitos alimentares saudáveis e impulsiona o desenvolvimento cognitivo e físico. Além dos aspectos biológicos, a amamentação fortalece intensamente o vínculo afetivo entre mãe e filho, criando uma conexão emocional profunda e duradoura.
As vantagens se estendem também à mãe. O processo de amamentar auxilia significativamente na recuperação do período pós-parto, favorece o útero a retornar ao seu tamanho normal e pode desempenhar um papel na prevenção de certos tipos de câncer, como os de mama e ovário. Adicionalmente, pode ser um fator coadjuvante no planejamento familiar, ao prolongar o espaçamento entre as gestações. Do ponto de vista financeiro, a escolha pelo aleitamento materno representa uma economia considerável, eliminando ou reduzindo a necessidade de adquirir fórmulas infantis e outros suplementos caros. A Dra. Carmen Elias enfatiza que, sempre que as condições familiares permitirem, a amamentação deve ser incentivada, dada a sua gama de vantagens.
Armazenamento seguro: Preservando a qualidade do leite materno
Muitas mães necessitam retirar e armazenar o leite materno para garantir a alimentação do bebê em diferentes momentos. Nesses casos, a segurança e a higiene são primordiais. A Dra. Carmen Elias alerta para a necessidade imperativa de utilizar recipientes devidamente higienizados e, crucialmente, esterilizados. A esterilização, um processo que elimina todos os microrganismos vivos, incluindo bactérias, fungos e vírus, é indispensável para assegurar que o alimento oferecido ao bebê esteja livre de contaminações e seguro para consumo.
A boa notícia é que a esterilização pode ser realizada em casa de forma simples e eficaz. Basta mergulhar os recipientes em água fervente por, no mínimo, dez minutos. Após o processo de ebulição, é fundamental permitir que os recipientes esfriem completamente antes de serem utilizados para armazenar o leite.
O desmame gentil e gradual: Respeitando o ritmo da criança
O momento do desmame é outra fase importante que demanda atenção e sensibilidade. A pediatra reforça que este processo deve ocorrer de maneira natural e progressiva, sintonizado com as necessidades nutricionais da criança e, igualmente, com o vínculo afetivo que se estabeleceu. Mesmo após o primeiro ano de vida, o leite materno mantém sua importância, fornecendo gorduras essenciais, nutrientes e anticorpos cruciais para o contínuo desenvolvimento infantil.
As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde orientam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. Após esse marco, a amamentação deve ser complementada com a introdução gradual de outros alimentos, estendendo-se até os dois anos ou mais, conforme a disponibilidade e o desejo da mãe e da criança.![]()
Categorias de aleitamento materno: Uma classificação essencial
A OMS estabelece classificações para os diferentes tipos de aleitamento materno, facilitando a compreensão e a orientação. No ‘aleitamento materno exclusivo‘, o bebê recebe apenas leite materno – diretamente do seio ou ordenhado – sem a ingestão de água, chás ou qualquer outro alimento ou líquido. Já o ‘aleitamento materno predominante’ descreve a situação em que o leite materno continua sendo a principal fonte de nutrição, mas a criança pode receber água e outros líquidos, como sucos naturais.
Quando o leite materno é mantido ao mesmo tempo em que alimentos sólidos ou semissólidos são introduzidos na dieta da criança, falamos em ‘aleitamento materno complementado’. Por fim, o ‘aleitamento materno misto ou parcial’ refere-se aos casos em que o bebê é alimentado tanto com leite materno quanto com outros tipos de leite, como as fórmulas infantis.
O Agosto Dourado, como pontua a especialista do Instituto de Educação Médica (Idomed), serve como uma plataforma vital para disseminar informações precisas e fortalecer as redes de apoio às mulheres ao longo de toda a jornada da amamentação. É um convite à sociedade para reconhecer e promover essa prática que é um verdadeiro presente para a saúde das futuras gerações.
