Crédito Global: Juros Elevados e Risco Reduzido Apresentam Oportunidades Históricas para Investidores

 Crédito Global: Juros Elevados e Risco Reduzido Apresentam Oportunidades Históricas para Investidores

Leonardo Guimarães

O cenário atual do mercado global de crédito desponta como uma oportunidade sem precedentes para investidores, oferecendo os maiores retornos em juros das últimas décadas, paralelamente a uma notável redução de risco. Essa constatação, que reverbera em discussões estratégicas de portfólio, é defendida por Wayne Dahl, co-gestor da estratégia de crédito global da Oaktree. Ele ressalta que, mesmo com atrativas taxas locais, o investidor brasileiro deveria considerar a diversificação internacional para otimizar seus rendimentos e mitigar exposições.

Oportunidade Única no Cenário Global de Crédito

A análise de Dahl aponta que o mercado de crédito internacional hoje carrega cerca de um terço menos risco do que há poucos anos, enquanto os juros praticados atingem patamares que não se viam em muito tempo. Para ele, este é um momento singular para alocar capital fora das fronteiras nacionais, mesmo diante de um cenário doméstico com taxas básicas de juros acima de 14%. Essa perspectiva foi amplamente debatida em um painel na Expert XP 2026, onde Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management, complementou a visão ao abordar a profunda transformação do regime de mercado.

A Nova Dinâmica dos Retornos: Foco no Carregamento e Seleção

Rybinski explica que o mercado financeiro transacionou de um regime para outro. Após a crise de 2008, a era de juros próximos a zero, imposta pelos bancos centrais, dificultava a obtenção de retornos significativos em renda fixa, com o spread (o prêmio de risco sobre títulos públicos) sendo o principal motor de ganhos. Atualmente, a realidade é distinta: existe uma curva de juros com níveis relevantes, e o crédito opera como um adicional sobre essa base. O impacto dessa mudança é que, embora os spreads estejam historicamente apertados, o retorno derivará fundamentalmente do 'carregamento' (o rendimento dos juros pagos pelo título ao longo do tempo) e da rigorosa seleção de ativos, e não mais de ganhos de capital decorrentes do fechamento de spreads.

Estratégias de Investimento: O Que Comprar e O Que Evitar

Ambos os especialistas concordam que o mercado global de renda fixa está repleto de oportunidades, mas a seletividade é crucial. A máxima de Howard Marks, sócio-fundador da Oaktree, é um guia essencial em crédito: “é preciso evitar os perdedores e deixar que os vencedores se resolvam sozinhos, já que um único erro pode consumir o ganho de vários acertos”.

Atenção aos Riscos: Onde a Cautela é Fundamental

Dahl adverte para a necessidade de cautela com empresas de software que dependem excessivamente de refinanciamentos contínuos, bem como com construtoras, que são particularmente vulneráveis à volatilidade e elevação das taxas de juros. Complementando essa visão, Rybinski aconselha evitar qualquer empresa que exija financiamento constante para sustentar suas operações, dada a atual dinâmica de custos de capital.

Onde Estão as Oportunidades

Do lado das recomendações de compra, Rybinski destaca as hipotecas de agência — títulos lastreados em financiamentos imobiliários residenciais nos EUA — que apresentam yields na casa dos 5% e duration curta. Ele também aponta operações específicas de CMBS (Commercial Mortgage-Backed Securities), papéis com lastro em hipotecas de imóveis comerciais, ressaltando, contudo, que estes exigem uma análise detalhada imóvel a imóvel. Dahl, por sua vez, reforça o segmento de crédito imobiliário, notando que a valorização de cerca de 50% nos preços de imóveis nos Estados Unidos nos últimos anos melhorou a relação entre dívida e valor do imóvel, tornando essas estruturas mais seguras e uma excelente forma de diversificar além do risco corporativo tradicional.

Diversificação: A Chave para o Investidor Brasileiro

Quando questionados sobre o principal argumento para a alocação em crédito global, a resposta unânime de Dahl e Rybinski foi: diversificação. Rybinski explica que a teoria do portfólio sugere que ter ativos em diferentes países, sujeitos a políticas monetárias distintas, amplia significativamente o conjunto de oportunidades e reduz o risco concentrado. Ele enfatiza que não se trata de desfazer posições brasileiras, mas sim de complementar e fortalecer o portfólio através da exposição a outros mercados e ciclos econômicos.

Em suma, o momento atual oferece ao investidor uma janela para explorar um mercado de crédito global robusto, caracterizado por retornos atrativos e um perfil de risco aprimorado. A estratégia passa por uma seleção criteriosa de ativos e pela compreensão da importância da diversificação geográfica como pilar de um portfólio resiliente e rentável.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

    Deo Martins