Desvendando o Potencial do Crédito Privado: Estratégias de Gestores para Ganhos em 2026

Painel “Investindo em Crédito no Brasil: em Busca do Alpha”, na Expert XP 2026 (Foto: Fabio …
Em um panorama econômico brasileiro que se anuncia complexo nos próximos anos, especialistas do mercado financeiro enxergam no crédito privado uma avenue promissora para retornos substanciais. Durante a Expert XP 2026, no painel “Investindo em Crédito no Brasil: em Busca do Alpha”, gestores de algumas das maiores casas de investimento do país delinearam as diretrizes para identificar as melhores oportunidades, seja em debêntures corporativas ou em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), enfatizando a importância de uma análise rigorosa e estratégias bem definidas para prosperar neste segmento.
Oportunidades em um Cenário Desafiador
Apesar das incertezas macroeconômicas, Marcelo Urbano, gestor da XP Asset, destaca que o mercado de crédito privado está repleto de possibilidades. Ele ressalta o potencial de empresas que, embora não possuam ratings elevados ou sequer sejam avaliadas por agências de risco, demonstram robustez gerencial e solidez de caixa. Para Urbano, a qualidade da gestão supera, em muitos casos, a atratividade do setor, permitindo a estruturação de operações mais seguras e com bom potencial de retorno. Além disso, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) são apontados como instrumentos flexíveis, com governança sólida, capazes de materializar ideias inovadoras através de processos bem-estruturados.
A Essência da Seletividade e Cautela
Jean Pierre Cote Gil, gestor da Vinland Crédito, sublinha que o momento atual exige uma postura dupla: seletividade e cautela. A cautela é ditada por um ambiente macroeconômico global e doméstico desafiador, influenciado pela política monetária restritiva e pelo ciclo eleitoral. Já a seletividade se faz imperativa devido à crescente diversidade de opções de investimento em crédito. Cote Gil observa que, paradoxalmente, empresas de alta qualidade ainda oferecem spreads atraentes, enquanto aquelas de risco intermediário, apesar de sofrerem com o contexto, podem apresentar oportunidades interessantes se inseridas em estruturas adequadas. Alexandre Muller, diretor de investimentos da Leto Capital, complementa que, em um cenário de juros elevados, a mitigação de riscos passa pela busca por empresas que já passaram pelo crivo de grandes bancos e que estão em processo de transição para o mercado de capitais.
O Retorno Atrativo do Crédito Privado
Um dos grandes atrativos do crédito privado reside na promessa de retornos superiores. Jean Pierre Cote Gil explica que este segmento pode oferecer um prêmio anual adicional de 1% a 2% em comparação a outras modalidades de investimento. Essa diferença se origina de fatores como o prêmio de liquidez, o menor conhecimento da empresa pelo mercado e o tempo e profundidade da análise necessária, elementos que se convertem em valor para os fundos. Alexandre Muller, da Leto Capital, exemplifica como sua gestora capitaliza sobre momentos de desconfiança do mercado – como nos casos de inadimplência de empresas como Aegea e Cosan – onde o aumento dos spreads permite capturar ganhos mais elevados em papéis de outras empresas do mesmo setor. Outra vertente explorada é a economia real, com a expansão do acesso a crédito para setores e regiões menos assistidos pelo mercado tradicional, como a iniciativa da Leto de abrir uma plataforma no Nordeste para empresas de menor porte.
Mitigando Riscos: O 'Pente Fino' na Análise
A gestão de risco é, talvez, o pilar mais crítico no crédito privado. Cote Gil, da Vinland Crédito, compartilha as lições aprendidas nos últimos anos, especialmente após o caso Americanas em 2023 e os mais de 40 defaults subsequentes que afetaram investidores pessoa física. Para ele, a prioridade máxima do gestor é 'evitar problemas', pois a resolução de casos de inadimplência no Brasil é notoriamente complexa e demorada. Essa premissa exige análises aprofundadas das empresas antes do investimento, que se estendem à avaliação da qualidade e idoneidade dos executivos da devedora em potencial. A experiência acumulada tem levado os gestores a organizar grandes grupos de credores para fortalecer sua posição em negociações com empresas em dificuldade, mas a prevenção continua sendo a melhor estratégia.
Estratégias para Diferentes Perfis de Empresa
No que tange ao perfil das empresas-alvo, observa-se uma diversidade de abordagens entre as gestoras. Alexandre Muller, da Leto Capital, sugere uma preferência por empresas dominantes em seus respectivos setores, argumentando que empresas de médio porte podem ser mais vulneráveis em períodos de dificuldade econômica. A Leto também direciona seu olhar para securitização via FIDCs, empresas regionais de infraestrutura e o futuro dos ETFs no universo do crédito. Em contrapartida, Marcelo Urbano, da XP Asset, foca em empresas de alto rendimento (high yield) ou de porte médio que, por não estarem no mercado de capitais, oferecem taxas mais atrativas ao buscarem alternativas de financiamento fora do sistema bancário tradicional. Ele também considera o crédito estruturado e os FIDCs como ferramentas essenciais para capturar valor.
Em síntese, o panorama para o crédito privado em 2026, embora permeado por desafios macroeconômicos, apresenta um vasto campo de oportunidades para investidores bem informados e gestoras com estratégias robustas. A chave para o sucesso reside na capacidade de realizar uma análise de risco profunda, na seletividade criteriosa de ativos e na habilidade de identificar e estruturar operações com empresas que demonstrem solidez gerencial e financeiras, independentemente de seu porte ou rating, garantindo assim um retorno superior e consistente no longo prazo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br
