Itamaraty reforça alerta de viagem ao Oriente Médio diante da escalada de conflitos

Itamaraty (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, emitiu nesta terça-feira (21) um alerta consular veemente, desaconselhando viagens para diversas nações no Oriente Médio. A medida surge em resposta à escalada contínua das tensões e à intensificação do conflito na região, visando a segurança dos cidadãos brasileiros diante de um cenário de crescente instabilidade.
Alerta consular abrangente do Itamaraty
A nota oficial, divulgada nas plataformas digitais do Itamaraty, estabelece que viagens para o Irã, Israel, a porção sul do Líbano, a Palestina (especialmente a Faixa de Gaza) e o Iêmen devem ser completamente evitadas. Esta categorização reflete o elevado grau de risco identificado nessas áreas, que estão no centro das hostilidades.
Adicionalmente, o governo brasileiro aconselha a abstenção de viagens não essenciais para uma lista mais extensa de países. Essa lista inclui a Palestina (Cisjordânia), Síria, Iraque, o Líbano em sua totalidade, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita. É importante salientar que, até o momento, as restrições não se estendem a conexões aéreas realizadas nesses países, permitindo o trânsito internacional, desde que não haja permanência prolongada.
Orientações cruciais para brasileiros na região
Para os brasileiros que já se encontram no Oriente Médio, o Itamaraty reforça a necessidade de vigilância constante. Recomenda-se o acompanhamento rigoroso das notícias e comunicados divulgados pelos canais oficiais das embaixadas brasileiras na região, bem como a adesão estrita às diretrizes de segurança emitidas pelas autoridades locais, que podem mudar rapidamente conforme a situação evolui.
Entre as recomendações detalhadas, o governo pede que sejam evitadas aglomerações e manifestações públicas. Uma advertência crucial é sobre a proibição de filmar ou fotografar instalações, veículos ou pessoal militar, bem como quaisquer eventos relacionados ao conflito. O descumprimento dessas regras, conforme a legislação local, pode resultar em detenção. Adicionalmente, desaconselha-se a divulgação em redes sociais de imagens, vídeos ou textos sobre o conflito que possam ser interpretados pelas autoridades locais como ofensivos à segurança nacional.![]()
A segurança pessoal também é prioridade, com a orientação para não deixar o local de residência sem antes verificar se as condições de segurança o permitem. Em caso de cancelamento de voos, os viajantes devem contatar diretamente a companhia aérea para remarcações e buscar alternativas. Por fim, é fundamental verificar a validade dos documentos de viagem, que devem estar em dia e possuir pelo menos seis meses de validade restante, para evitar contratempos em uma eventual saída da região.
Escalada recente dos conflitos e ações militares
As recomendações da diplomacia brasileira surgem em um cenário de intensa atividade militar na região. Nesta terça-feira, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) anunciou ter realizado um ataque contra um centro de dados da empresa Amazon, localizada no Bahrein. O Exército barenita confirmou as agressões, classificando-as como ‘ilegais contra civis‘, e reportou a bem-sucedida interceptação de diversas incursões aéreas iranianas no mesmo dia.
As forças iranianas também declararam ter visado radares de alerta e defesa antimíssil dos Estados Unidos na Base Aérea de Jaber, no Kuwait, e outras bases norte-americanas localizadas na Jordânia, evidenciando uma ampliação dos alvos em resposta aos confrontos. Este é o décimo dia consecutivo de agressões entre as partes após o fim de um cessar-fogo anterior, sublinhando a deterioração da situação.
Em contrapartida, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) divulgou que suas forças realizaram ataques contra bases militares iranianas, instalações marítimas estratégicas, plataformas de lançamento de mísseis e drones, além de sistemas de defesa aérea iranianos. O presidente Donald Trump, por sua vez, ameaçou especificamente o complexo nuclear iraniano Montanha Pickaxe, próximo às instalações de Natanz, ressaltando a gravidade e o potencial de escalada nuclear do conflito.
Implicações econômicas e ameaças estratégicas
A deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio já repercute na economia global. A escalada do conflito, que representa um revés nos esforços de acordo entre Irã e EUA, impulsionou o preço do petróleo nesta semana. O barril de Brent, referência internacional, registrou um aumento de cerca de 2%, atingindo a marca de 90 dólares, refletindo a preocupação com a segurança energética e a oferta global, especialmente após o alerta da AIE para riscos à segurança energética com a escalada do conflito.
Além das repercussões econômicas, a situação levanta alertas estratégicos sobre rotas de navegação críticas. A ameaça latente ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota marítima crucial que se tornou uma importante alternativa ao Estreito de Ormuz, exacerba ainda mais as preocupações com a segurança da navegação e o comércio internacional, que já enfrentam instabilidades devido aos conflitos em andamento.
Diante do panorama de incerteza e da recente intensificação dos confrontos, a recomendação do Itamaraty assume caráter preventivo e urgente. A prioridade máxima é a salvaguarda da vida e da integridade física dos brasileiros, reforçando a importância de se manter informado e seguir rigorosamente as orientações de segurança em uma região de complexidade crescente e volatilidade imprevisível.
Fonte: https://www.infomoney.com.br
