Alerta de Segurança no Rio Tocantins: Lancha Vira em Marabá e Reacende Debate sobre Fiscalização Fluvial

 Alerta de Segurança no Rio Tocantins: Lancha Vira em Marabá e Reacende Debate sobre Fiscalização Fluvial

Redação

O período de veraneio em Marabá, tradicionalmente marcado pela tranquilidade e pelo lazer nas águas do rio Tocantins, teve seu cenário alterado no último domingo (12). Uma ocorrência preocupante mobilizou banhistas, barqueiros e equipes de apoio na Praia do Tucunaré, quando uma lancha de alumínio, transportando passageiros, virou após ser atingida por um forte banzeiro. O incidente, que provocou momentos de pânico entre os ocupantes, ocorreu durante o intenso fluxo de embarcações que retornavam para a orla da cidade.

Apesar da gravidade da situação, a rápida ação de outras embarcações que navegavam nas proximidades garantiu o socorro imediato, evitando consequências mais severas e impedindo que qualquer pessoa sofresse ferimentos graves. No entanto, o episódio serviu como um catalisador para reacender um debate crucial sobre a segurança da navegação durante os meses de verão e a necessidade de uma fiscalização mais robusta no principal corredor fluvial de Marabá.

Pânico e Resgate Imediato nas Águas do Tocantins

Entre os passageiros da lancha estava Marcos Neves, músico da banda Marachoro, que havia se apresentado na Praia do Tucunaré naquela tarde. Ele e outros integrantes do grupo vivenciaram de perto o momento da virada, com Marcos detalhando a aflição em um relato nas redes sociais na manhã seguinte ao ocorrido. Segundo o músico, o problema foi além da quantidade de pessoas a bordo, focando nas condições de navegação daquele horário, caracterizado por um intenso tráfego de embarcações.

A movimentação simultânea de barcos em sentidos opostos gerou as fortes ondas conhecidas como banzeiro. Neves descreveu que a lancha balançou intensamente duas vezes antes de ser atingida por uma terceira onda decisiva. “Quando deu a terceira, o barco foi muito alto. Quando voltou, já voltou meio de ponta. E quando voltou de ponta, o negócio foi muito rápido”, narrou. Na água, apesar de usar colete salva-vidas, ele relatou ter vivido momentos de desespero e dificuldade para se manter na superfície, ingerindo grande quantidade de água. Além dos danos materiais, como a perda dos seus óculos e chaves do carro, um colega da banda perdeu um violão e o telefone celular.

O socorro veio prontamente de embarcações próximas. Um dos primeiros a chegar foi o barqueiro André Lima Costa, conhecido como Calango, que fazia uma travessia logo atrás da lancha acidentada, demonstrando a solidariedade e a prontidão da comunidade fluvial.

Irregularidades e Conduta do Piloto Revelam Falhas de Segurança

A investigação do incidente trouxe à tona informações cruciais sobre a embarcação e a conduta de seu piloto. Calango, o barqueiro que auxiliou no resgate, esclareceu que a lancha envolvida não era uma das embarcações credenciadas para realizar a travessia regular entre a Praia do Tucunaré e a orla de Marabá. Tratava-se, na verdade, de uma lancha de pequeno porte, de uso particular, que transportava os integrantes da banda e seus equipamentos.

Calango apontou que a lancha levava oito passageiros e o piloto, além de equipamentos do show, excedendo consideravelmente a capacidade máxima de cinco pessoas recomendada para aquele tipo de embarcação. Ele também observou que a condução do piloto não seguiu procedimentos básicos de segurança. “A gente que trabalha aqui já sabe que tem que pegar o banzeiro de frente. Quando eu vi, a lancha pegou o banzeiro de lado”, explicou, complementando que o correto seria ter evitado o corredor principal de embarcações naquele horário e optado por uma rota mais segura pela margem do rio.

Essa distinção é fundamental, pois inicialmente circulou a informação de que uma das tradicionais 'rabetas', embarcações credenciadas para a travessia da praia, teria afundado. O relato dos barqueiros confirmou que o acidente envolveu uma lancha particular, não uma embarcação que opera no transporte regular e fiscalizado de passageiros.

Fiscalização Fluvial: Um Desafio para o Veraneio Seguro

O episódio lançou luz sobre a complexa questão da responsabilidade pela fiscalização do tráfego fluvial, especialmente em períodos de alta demanda como o veraneio. O Tenente Macedo, do 5º Grupamento Bombeiro Militar, informou que a ocorrência se deu por volta das 18h40, horário em que o serviço de guarda-vidas já havia sido encerrado. A ausência de uma vigilância ativa no momento do acidente destaca uma lacuna na segurança que precisa ser urgentemente abordada.

A situação aponta para a necessidade premente de um plano de fiscalização mais abrangente e efetivo, que não se limite apenas aos horários de pico ou à atuação em um perímetro restrito. É imperativo que os órgãos competentes estabeleçam diretrizes claras e intensifiquem a supervisão sobre todas as embarcações que circulam no rio Tocantins, sejam elas credenciadas ou particulares, garantindo que as normas de segurança, capacidade e habilitação dos condutores sejam rigorosamente cumpridas. A proteção da vida nas águas de Marabá depende de um esforço conjunto e contínuo de conscientização e aplicação da lei.

Conclusão: Lições Aprendidas e o Chamado à Vigilância

O incidente com a lancha no rio Tocantins, apesar de não ter resultado em feridos graves, serve como um poderoso lembrete da fragilidade da segurança quando as normas são negligenciadas. A rápida resposta da comunidade fluvial demonstrou a importância da solidariedade, mas também salientou a urgência de medidas preventivas e regulatórias mais eficazes.

A segurança da navegação fluvial em Marabá, e em qualquer outro ponto turístico aquático, exige um compromisso contínuo das autoridades, operadores de embarcações e dos próprios usuários. A lição extraída deste evento é clara: a conscientização sobre os riscos, o respeito às capacidades das embarcações, a habilitação dos pilotos e, acima de tudo, uma fiscalização atuante e ininterrupta, são pilares para garantir que o lazer nas águas permaneça uma experiência prazerosa e segura para todos.

Fonte: https://correiodecarajas.com.br

    Deo Martins