O estoque do Trastuzumabe/Hercepetin terminou em novembro e impede 139 mulheres de seguir o tratamento – Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

O Pará e pelo menos outros dois estados das regiões Norte e Nordeste estão desabastecidos de um medicamento fornecido exclusivamente pelo Ministério da Saúde (MS) e utilizado com frequência em pacientes com câncer de mama.
O estoque do Trastuzumabe/Hercepetin terminou em novembro e, desde o início da nova gestão do Hospital Ophir Loyola (HOL), iniciada em janeiro, a direção geral insiste em resolver o problema, que impede 139 mulheres de seguir o tratamento. Como a droga não pode ser adquirida de outra forma, o HOL segue na dependência do Governo Federal, sem saber quando ocorrerá o envio.
O diretor geral do Hospital, José Roberto Lobato, relata ter trocado e-mails com o setor responsável pelo MS, reforçando sempre a urgência da necessidade de ter a medicação novamente. Inicialmente, solicitou 1.395 frascos do remédio ainda em janeiro, recebendo a confirmação, em 14 de fevereiro, de que somente 500 poderiam ser enviados, e no prazo máximo de uma semana. Mas nada foi recebido até o momento e a questão já foi judicializada.
As pacientes estão, claro, angustiadas, pedindo providências, mas é algo que não cabe mais à direção ou mesmo à Secretaria de Saúde”, diz. “Eu cheguei a pedir emprestado do estoque dos estados do Amazonas e do Maranhão, mas lá também estão sem. Ou seja, o problema de fornecimento é nacional”, alerta
De acordo com o médico, o Trastuzumabe/Hercepetin é administrado, dependendo do tipo de câncer, após procedimentos de biópsia. Ele conta ainda que o Ministério da Saúde deu abertura de pregão para licitação da compra desse medicamento em 20 de fevereiro, mas houve um cancelamento para 7 de março. Alguns pacientes recorreram ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo uma resposta ao problema, mas as denúncias teriam sido arquivadas.
A equipe de reportagem entrou em contato com a assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde, mas não teve retorno.
Reportagem: Carol Menezes/Diário do Pará

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