O período de chuvas intensas tem colaborado com a proliferação de caramujos africanos em alguns bairros de Marabá. O molusco é hospedeiro de doenças como a angiostrongiloses, que pode provocar perfurações no intestino e até meningite, e vem deixando muita gente em estado de alerta, principalmente quem mora em regiões alagadiças da cidade. Em muitos lugares, por acúmulo de entulhos e lixo, eles acabam se reproduzindo facilmente.

A situação se agrava porque o animal não tem predador natural, o que facilita sua procriação. O que mais preocupa os moradores é que o caramujo está invadindo as casas, oferecendo risco à saúde principalmente de crianças.

O Bairro Belo Horizonte é um dos mais afetados com a infestação da espécie. Por conta disso, um grupo de moradores procurou o CORREIO para denunciar o aparecimento desses animais na área. Elaine Nunes é moradora do bairro e relata que os bichos estão aparecendo com frequência em sua rua e adentrando na casa dela.

Marli Santos, também moradora do bairro, disse que percebeu a proliferação rápida dos animais próximo a sua residência. “Notei a presença dos caramujos nesse período quando não estava tendo coleta de lixo e fiquei atenta, com medo deles entrarem em casa. Mesmo assim, fui surpreendida. Minha cadelinha pegou um caramujo a mordeu. Achei que não ia acontecer nada com ela. Quatro dias depois, apareceu uma ferida na região da boca até o focinho. Levei no veterinário e ele recomendou eu mantivesse o ambiente livre desses animais por causa das doenças que podem provocar”, relatou.

Orientações

A reportagem procurou o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Marabá em busca de informações sobre o “caramujo gigante”, com relação à sua proliferação e também dos riscos que causam à saúde. Em conversa com o gerente do CCZ, o médico veterinário Nagilvan Amoury revelou que estes moluscos podem também surgir em tempos secos, desde que exista matéria orgânica para que sobrevivam e se proliferem.

“O local ideal para reprodução dele é onde há material orgânico para se alimentar, água e abrigo. São estes os locais propícios para criação desses bichos, onde tem muito mato, entulho e material em decomposição. Quanto mais alimento melhor para a reprodução”, afirmou.

Riscos

O veterinário também confirmou que o caramujo africano pode oferecer risco à saúde dos moradores. “[As doenças] são as angiostrongiloses – que podem causar perfuração no intestino ou meningite. A incidência é pequena, mas o risco existe, e é bom sempre evitar”, garante o especialista, acrescentando que a carapaça do animal é cortante e pode causar lesões ao ser tocada. “Para tocar nele, o ideal é sempre usar uma luva ou um saco plástico”, orienta.

Para eliminar o molusco, Nagilvan diz que é necessário destruir os ovos e sua carapaça, porque um único animal é capaz de produzir cerca de 300 ovos por ano. Além disso, é aconselhável colocar o animal dentro de um saco, enterrá-lo e jogar cal por cima.

“A gente orienta também que se quebre a carapaça, porque ficando exposta acaba virando um copo, acumulando água, gerando um ambiente propício para o mosquito da dengue”, confirmou. Nagilvan destaca que para exterminar o molusco é necessário mantar o ambiente sempre limpo, arejado, com vegetação rasteira e evitar acumular entulho nos quintais.

Saiba Mais –  O CCZ pode ser contatado pelo número (94) 3324-4411. Contudo, em casos como o reportado na matéria ou relacionado ao aparecimento de qualquer espécie incomum, a direção recomenda que a população recolha uma amostra, tomando os cuidados mencionados, e compareça na sede do CCZ, localizada na Av. Dois Mil, S/n – Belo Horizonte, Marabá – PA

Reportagem: Nathália Viegas – CTOnline