O pajé Pangra Kaiapó, 71 anos, da Aldeia Krãnhãpari morreu com covid-19 em Redenção, sudeste do Pará. O indígena se recusou a ser atendido em um hospital, mesmo com o agravamento dos sintomas, na terça-feira (11). O caso foi confirmado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI).
A Secretaria, ligada ao Ministério da Saúde (MS), informou que no dia 30 de julho, durante campanha de testagem para Covid-19, o pajé testou negativo para o novo coronavírus, mesmo apresentando sintomas da doença, como tosse, febre, dor de garganta, coriza, fraqueza, cefaleia e dor muscular.
A Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI) solicitou a remoção do indígena para uma unidade hospitalar através de transporte aéreo, mas Pangra recusou a remoção e assinou um termo de responsabilidade. Com a insistência de equipe, o pajé topou sair no dia seguinte por via terrestre.
Segundo o MS, uma equipe do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Kaiapó do Pará foi até a aldeia buscar o indígena, mas ele teria se recusado novamente a sair. A partir de então um membro da equipe multidisciplinar ficou acompanhando o estado de saúde do paciente.
Na última terça-feira (11), quando o indígena piorou o quadro clínico, foi levado de avião para Redenção, para ser tratado no centro de referência da cidade. De acordo com as informações do Ministério da Saúde, Pangra se recusou novamente a ser atendido, mas aceitou ficar na Casa de Apoio Indígena (Casai) da cidade, onde foram realizados testes e feita a triagem, que confirmou o resultado positivo para o novo coronavírus.
A Casai não tem suporte clínico para o tratar casos graves de Covid-19. O sintomas se agravaram e o pajé morreu na casa. Na declaração de óbito consta como causas da morte: parada cardiorrespiratória, pneumonia e Covid-19.
Fonte:G1