Foto: Divulgaçāo

Apenas estudante de graduação do curso de Direito em uma faculdade particular de Belém, o filho do deputado cassado Wladmir Costa, Yorran Christie Braga da Costa, teve suspensa sua nomeação ao cargo de delegado federal de Desenvolvimento Agrário no Pará.

A decisão foi tomada pela Juíza Federal Substituta da 5ª Vara da Seção Judiciária do Pará-SJPA – Mariana Garcia Cunha, após denúncia do advogado Ismael Moraes no fim de janeiro. Na época, Moraes afirmou que Yorannnão possui curso superior e formação técnica” para desempenhar o cargo e comandar um orçamento de R$ 100 milhões da reforma agrária no estado.

No Brasil, verifica-se que a nomeação de pessoas estranhas ao serviço público como “apadrinhados políticos”, para exercer os almejados cargos em comissão, acarreta por vezes o desequilíbrio da administração pública, visto que tais pessoas, na maioria das vezes, não possuem qualificação técnica para assumir a gestão, como é o caso de Yohann Costa, que possui apenas 22 anos de idade e nenhuma formação acadêmica, nem mesmo na área específica de atuação”, complementou.

Após a queixa, a juíza Mariana Cunha, observou o raquítico currículo do filho do deputado, que alegou apenas que já ter concluído, com dificuldade, “o 6º semestre, bem como as matérias de Direito Administrativo e Direito Constitucional, além de estar cursando o último ano do curso técnico de Tecnologia em Gestão Pública” em outra instituição particular de ensino da cidade.

Para continuar a pobre descrição que o credenciasse de fato ao cargo público em que seu pai o colocou, o estudante ainda tentou se defender afirmando que é “cidadão paraense e conhecedor doterritório estadual lhe confere a expertise necessária para atuar na área do desenvolvimento agrário“. Ou seja: segundo a família Costa e seus advogados, o estudante, que ainda precisa de ao menos dois anos para terminar a graduação e ser aprovado na OAB para exercer a profissão de advogado, se considera apto ao cargo também por ter viajado muito pelo Estado.

A óbvia falta de argumentos de Yorran, que possui apenas notas medianas em seu histórico escolar não foi aceita. Na decisão, a juíza afirma que “o estudante não tem experiência profissional alguma,tampouco experiência de gestão. Além disso, ainda está em curso sua formação acadêmica. O fato de cursar Direito não é suficiente para afastar a falta de experiência profissional, pois seu histórico escolar descreve um aluno mediano, com notas próximas da média mínima e reprovação em várias matérias. Por se tratar de um cargo de direção, é esperada a experiência no gerenciamento de equipes ou no mínimo na área agrária, o que excepcionalmente poderia ser suprimido em caso de um currículo acadêmico exemplar, o que não é o caso“, diz o documento.

DESQUALIFICADO QUER SER DEPUTADO

O despacho da juíza ainda cita a informação que circula nos bastidores e que parece agora já ser de domínio público: Yorran, com sofrível tajetória acadêmica e sem experiência alguma política, quer seguir os passos do pai e ser deputado federal. A inclusão de seu nome no cargo federal, inclusive, seria apenas uma alternativa de dar visibilidade ao desconhecido estudante.

Diz o processo que o jovem “almeja concorrer ao cargo de deputado federal, já que seu pai estaria inelegível, por decisão do  Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA). Vale lembrar que em fevereiro de 2017, o TRE confirmou, por votação unânime, a cassação do ex-cantor de brega. Em 2016, a corte do TRE paraense deu decisão também unânime em representação contra o deputado, acusado de ter recebido dinheiro “oriundo de fontes não declaradas” (ou seja, Caixa 2), para a campanha à Câmara dos Deputados, em 2014. Wladimir também teria omitido da Justiça Eleitoral o montante de R$ 410 mil de sua declaração de valores recebidos para a campanha.

Fonte: DOL

 

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