Dando continuidade à Operação Carranca, que visa reprimir a exploração ilegal de madeira na região de Brasil Novo, Medicilândia e Uruará, a Polícia Federal de Marabá entrou no circuito e cumpriu mandado de busca, apreensão e afastamento do cargo de um policial civil, acusado de colaborar com a associação criminosa.
Quem confirmou o afastamento do policial civil em Marabá foi o delegado Marcelo Guimarães Mascarenhas, da Polícia Federal em Marabá: “Ontem foi cumprido um mandado de busca e apreensão e hoje tivemos mais um cumprimento de mandado de busca e apreensão e de afastamento de um policial civil”.
Sobre o caso, o delegado Vitor Leal, titular da Corregedoria da Polícia Civil na Superintendência Regional de Marabá, confirmou que será realizada uma apuração administrativa para analisar a responsabilidade em eventual falta funcional do policial.
O nome do policial civil e sua função não foram divulgados nem pela Polícia Judiciária do Estado e nem pela Federal, mas a reportagem apurou que ele mora na Folha 22, na Nova Marabá. Por outro lado, um servidor público federal foi preso na região da Transamazônica, mais ao sudoeste do Pará.
A operação
Ao todo foram cumpridas cerca de 60 medidas cautelares, sendo mais de 10 mandados de medidas cautelares diversas de prisão, sete mandados de afastamento do emprego ou função pública, quatro de suspensão da atividade de natureza econômica, além de sete de sequestro de bens e quase 30 mandados de busca e apreensão.
Na visão do delegado, a ação da Polícia Federal atingiu em cheio essa associação criminosa. “Acabou por conseguir agredir essa organização criminosa em todos os aspectos, tanto nas pessoas que extraíam, quanto nas que faziam esse beneficiamento e transportavam; e também os agentes públicos que davam cobertura para essas operações”, argumenta.
Ainda de acordo com o delegado Mascarenhas, as investigações ainda estão em andamento, mas já existem provas bastante robustas dos criminosos que estão fazendo desmatamento ilegal, beneficiamento dessa madeira e também dos agentes públicos que estão dando suporte aos crimes.
Os alvos estão identificados, existem inúmeras provas referentes aos alvos, mas com a deflagração dessa operação naturalmente sempre se busca mais documentos, mais telefones celulares e podem surgir novos fatos. Então nesse sentido as investigações ainda não terminaram, embora se tenham todos os elementos para denunciar e responsabilização junto ao Judiciário”, assegura o delegado.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, o esquema criminoso está dividido em quatro grupos: um é formado por madeireiros de pouco poder aquisitivo, que atuam na linha de frente da extração ilegal; o outro são madeireiros de grande poder econômico, que financiam uma grande cadeia de extração, serragem e distribuição de madeira ilegal; o terceiro grupo tem servidores públicos da área ambiental, advogados, engenheiros florestais, que usam a função para favorecer e acobertar os crimes; e o quarto núcleo é composto por policiais que faziam a fiscalização ilegal na Transamazônica, cobrando vantagem indevida dos caminhoneiros.
Chagas Filho e Josseli Carvalho – Correio de Carajás