Carteiras de motorista eram adquiridas em Parauapebas e, posteriormente, enviadas aos demais Estados

Foto: Reprodução/TV Globo

Dez suspeitos de participar de um esquema criminoso que comercializava carteiras de motorista sem a realização de provas no Distrito Federal foram presos ontem, pela Polícia Civil no âmbito da Operação Habilis. Dois deles foram presos no DF e os outros oito integrantes da suposta organização criminosa foram detidos em Goiás (6), Minas Gerais (1) e no Pará (1). Segundo as investigações, as carteiras de habilitação eram adquiridas em Parauapebas e, posteriormente, enviadas aos demais Estados.
Os criminosos fraudavam documentos para que as pessoas que os procuravam adquirissem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem passar por avaliações e exames médicos. As investigações foram iniciadas em 2016, mas toda a documentação falsa encontrada pelos policiais contém registros desde 2011. Os suspeitos cobravam entre R$ 400 e R$ 4 mil pela falsificação dos exames.
No DF, o presos trabalhavam em uma clínica credenciada ao Departamento de Trânsito (Detran) para realização de exames de visão e psicotécnico. No entanto, de acordo com a polícia, o dono da clínica não tem envolvimento com o esquema, porque a clínica teria sido vendida quando as investigações estavam em curso. Tirar a carteira de forma “oficial” custa em média R$ 1,3 mil no DF. O valor inclui clínica médica, biometria e simulador. A autoescola é paga separadamente – há 170 credenciadas na capital federal.
O delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor e Fraudes (Corf), explicou em coletiva de imprensa que o esquema era centralizado no Pará, no município de Parauapebas, onde o dono de uma autoescola recebia a documentação de outros Estados. Lá, ele conseguia expedir a carteira pelo Detran-PA. “Não temos comprovação de envolvimento de agente público, mas foi presa uma pessoa do Detran-GO que, inclusive, também temos indícios que retirava multas do sistema.”
A polícia apurou que 600 carteiras de habilitação foram transferidas do Pará para o DF entre 2011 a 2017. “Não quer dizer que todas eram falsas. [Elas] estão sendo investigadas“, disse o delegado. Ele explicou que as carteiras de habilitação emitidas pela Detran são verdadeiras – “os meios para obtê-la é que são ilícitos“.
O esquema funcionava a partir da ação de “cooptadores“, que buscavam pessoas à procura de autoescolas para tirar a carteira. A polícia ainda busca detalhes de como e onde ocorriam as abordagens. O diretor-geral do Detran-DF, Silvain Fonseca, reforçou que as suspeitas de fraude surgiram em razão do alto número de transferências de CNH do Pará para o DF nos últimos seis anos. “As pessoas transferiam um número expressivo de prontuários para o DF, o que despertou suspeitas. Até porque a maioria desses compradores é do DF.” Ele informou que todas as carteiras de habilitação de motoristas do DF compradas por meio do esquema serão canceladas assim que houver confirmação.
Caso sejam condenados, os suspeitos responderão por falsificação de documento público, onde a pena pode variar de dois a três anos de prisão, além de associação criminosa e corrupção passiva, que podem render entre um e oito anos de prisão. As pessoas que compraram suas carteiras podem responder por falsificação.
Reportagem: O Liberal