A Polícia Civil de Parauapebas praticamente já desvendou a morte da adolescente Wilka Afonso Pereira, de 12 anos, assassinada e jogada dentro de um igarapé, no município. Inclusive já há um suspeito do crime, mas o delegado Felipe de Oliveira, responsável pelo caso, prefere ainda não divulgar o nome para não atrapalhar as investigações.

Ontem, terça-feira, 29, o delegado ouviu três pessoas, dois homens e uma mulher, que estariam no mesmo local onde a vítima estava e foi morta. Os três, após serem ouvidos, foram liberados.

Já temos uma linha de investigação, mas para o bom andamento das investigações não podemos adiantar nomes ainda, mas em breve esperamos capturar os acusados pelo crime”, adianta Felipe.

Segundo a família de Wilka, ela foi vista pela última vez na sexta-feira, 25, quando passou em casa e avisou a mãe que iria para a casa de uma amiga. O corpo dela foi encontrado no início da tarde do último domingo, 27, dentro do Igarapé Sebosinho, no Bairro Novo Brasil, com várias perfurações de arma branca.

Uma morte anunciada  

O fim trágico da menina Wilka Afonso Ribeiro revela a lacuna da falta de políticas públicas voltadas ao atendimento de crianças e adolescentes usuários de drogas, segundo a conselheira tutelar, Gardênia Martins, do Conselho Tutelar II de Parauapebas. Ela diz que a mãe da menina procurou no mês passado a entidade para pedir ajuda porque a filha estava em situação de drogadição.

Conselheira tutelar, Gardênia Martins, do Conselho Tutelar II de Parauapebas/ Foto: Ronaldo Modesto

Ela nos procurou dizendo que tinha estado na Delegacia para denunciar a situação e pedir providências, mas lá foi aconselhada a procurar o conselho porque se trava de uma adolescente e quem cuida dessa faixa etária somos nós. A mulher nos relatou que filha já usava entorpecentes, fugia de casa e, inclusive, a ameaçava toda vez que a mãe tentava impedi-la de sair”, relata Gardênia.

A conselheira lamenta que a menina não tenha recebido a assistência do Estado para tratar sua dependência química e também ter um futuro diferente do que teve. Segundo Gardênia, o papel do Conselho Tutelar é apenas atender os casos e solicitar serviços.

Nós não temos capacidade técnica para exercer alguns trabalhos da área social, de polícia e saúde. Como requisitadores de serviço, solicitados à polícia que atendesse a mãe e fizesse um boletim de ocorrência. Como a menina nessa ocasião tinha fugido de casa, pedimos que fosse feito a procura por ela, pois para menor não vale o prazo de 48 horas para se iniciar as buscas, quando estão desaparecidos”, detalha a conselheira.

Ainda segundo ela, eles também encaminharam o caso da menina para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que não trata dependência química, mas para que a menina pudesse ter atendimento psicológico. “O CAPS não trata de criança em caso de drogadição, mas eles tentam nos dá suporte, mas também não conseguem”, lamenta Gardênia, ressaltando que não há na rede pública projetos voltados a atender crianças vitimadas pelas drogas.

Ela observa que essa lacuna no serviço público dificulta ainda mais o trabalho com crianças e adolescentes, porque aumentaram muito nos últimos anos os casos de dependência química nessa faixa etária. “Eu digo que o caso dessa adolescente é mais um que termina de forma trágica porque não temos atendimento adequado a esse público, infelizmente”, lamenta, destacando que não existe um local na rede de atendimento público no Estado para atender exclusivamente crianças e adolescentes usuárias de droga.

Gardênia informa que hoje entre 60% e 70% dos atendimentos realizados no Conselho Tutelar são de pais e familiares pedindo ajuda, porque seus filhos estão em situação de drogadição. “Mas sem políticas públicas do Estado, só resta usar a frase do procurador de Justiça do Estado do Pará, Murilo José Diácono, que deu uma palestra de capacitação para nós: É jogar para cima e esperar que Deus segure”, declara.

Ainda falando de Wilka, ela conta que no último dia 23 deste mês, a mãe da menina esteve novamente no conselho, dizendo que a menina havia sido detida pela polícia, acusada de furto, e que o delegado responsável pelo caso a teria encaminhado para lá. “Não sei porque mandaram o caso para cá, se não somos polícia. Talvez se ela tivesse sido apreendida, não teria sido morta”, ressalta.

Sobre as declarações da conselheira, o Delegado de Polícia Civil, Felipe de Oliveira, afirma que não nada oficial sobre a menina chegou ao conhecimento da delegacia. “Quando uma ocorrência criminal chega à delegacia, todas as providências são tomadas”, garante o delegado.

Reportagem:  Tina Santos – com informações de Ronaldo Modesto, Correio de Carajás