Familiares de Sidcleia fizeram caminhada até o Fórum, OAB e Câmara Municipal /Fotos: Tina Santos

Amigos e parentes da empresária Sidicleia de Carvalho Vieira Santos realizaram na manhã de hoje, terça-feira, 15, uma passeata até o Fórum de Parauapebas, assim como a sede da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA) e Câmara Municipal, para entregar uma carta cobrando empenho das autoridades na elucidação da morte dela, que completou 45 dias. A data foi escolhida porque hoje ela completaria 42 anos de idade.

Sidicleia era esposa do secretário municipal de Desenvolvimento de Parauapebas, Isaías França de Queiroz

Os familiares e amigos se concentraram na Praça dos Metais, no Bairro Cidade Nova, Centro de Parauapebas, e de lá seguiram em caminhada até o Fórum, OAB e Câmara Municipal. A empresária foi assassinada no dia 31 de março, após sair de uma vigília na Igreja Assembleia de Deus, no Bairro Vila Rica, onde congregava. As investigações do crime estão sob sigilo de Justiça e envoltas em mistério.

Segundo familiares, a empresária não teria inimigos e muitos menos estaria envolvida em algo ilícito que pudesse justificar a morte violenta que teve. Sidicleia era esposa do secretário municipal de Desenvolvimento de Parauapebas, Isaías França de Queiroz, que acompanhou a manifestação, junto com os demais amigos e parentes.

O movimento cobrando o fim da violência e pedindo justiça pela morte da empresária começou com as mulheres da igreja onde ela congregava. O movimento, denominado “Impunidade Não”, ganhou força e o grupo garante que irá ficar mobilizado até que o caso seja solucionado e o assassino e possível mandante sejam punidos.

Karla Delmar, uma das líderes da mobilização, observa que delegada Yanna Azevedo, que está à frente das investigações, pediu que eles esperassem 30 dias para se manifestarem.

No entanto, ela ressalta que já se passaram 45 dias e os amigos e familiares querem uma posição das autoridades. “A população está cansada de tanta violência e impunidade. Nós precisamos de uma resposta. A gente está mobilizada pela morte da Sidcleia, mas também pedimos o fim da impunidade porque há vários crimes sem solução na cidade. São famílias que aguardam, ao menos, ver o assassino ou assassinos de seus parentes presos”, desabafa Karla.

Ela observa que a data em que a empresária comemoraria mais um ano de vida foi escolhida para dar mais um grito de socorro e pedir ao Poder Judiciário e Legislativo que também se envolvam na luta pelo combate à violência e o fim da impunidade. “Queremos ver o assassino e o mandante presos”, afirma.

Kércia Carvalho, irmã de Sidcleia, diz que a família já está cansada de esperar por uma resposta e quer saber realmente quem cometeu esse crime bárbaro e por qual motivo. “A gente sabe que nada que fizermos vai trazer minha irmã de volta, mas a gente quer ao menos ver que o caso dela não ficou impune, como tantos crimes cometidos na nossa cidade e em todo o País. A gente quer pelo menos tranquilizar nosso coração, sabendo que foi feita justiça. Queremos olhar para frente, mas sabendo que esse capítulo foi fechado”, enfatiza Kércia.

Ela pontua que sua irmã foi mais uma vítima da violência que assola tantas famílias. “Estamos lutando por todas as vítimas da violência”, acrescenta Kércia Carvalho, ressaltando que foi uma grande dor para a família colocar uma camiseta com a foto de Sidcleia para pedir justiça por sua morte em um dia que sempre foi celebrada a alegria, pelo aniversário dela. “Agora é um dia de tristeza para todos nós”, lamentou.

Bastante emocionada, Lúcia Carvalho, mãe de Sidcleia, não segurou as lágrimas ao lembrar da morte violenta da filha. “Meu coração está despedaçado. A gente havia programado fazer uma grande festa para comemorar seus 42 anos de vida e, agora, estamos aqui, pedindo justiça por sua morte. Eu nunca pensei que neste dia, que sempre foi de alegria pelo aniversário da milha filha, eu estaria em uma praça, com a foto dela em uma camiseta, pedindo justiça”, declarou, aos prantos, Lúcia Carvalho.

Segundo ela, foi um ato de muita crueldade o que fizeram com a filha, que era uma pessoa do bem. “Só quem é mãe e que já perdeu um filho para a violência sabe a dor que eu estou sentindo. A dor que eu sinto é milhões de vezes maior que a dor de um parto, porque a dor do parto é para se colocar o filho no mundo, mas essa dor, de partida, não tem nada que se compare”, resume Lúcia, dizendo que a filha, arrancada bruscamente do seu convívio, tinha muitos sonhos.

Ela tinha tantos planos e projetos e tudo isso foi tirado dela. Foi uma barbaridade. Esse crime não vai ficar impune, os culpados vão ter que pagar e vou lutar até o último momento da minha vida por isso”, afirma Lúcia.

Viúvo, Isaías França garante que também está acompanhando o processo, junto com seu advogado, e quer que o caso seja solucionado o mais rápido possível. “Existem muitas especulações sobre o crime e isso deixa a família toda sofrendo. Então o que a gente quer é que a verdade venha à tona e o crime seja esclarecido, para a família poder ter um pouco de paz”, declarou Isaías.

Reportagem: Tina Santos – Correio de Carajás