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A desculpa esfarrapada não é incomum, segundo a delegada Ana Caroline Abreu, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Parauapebas. Alderi de Araújo Ferreira, assim como muitos homens, alegou ‘estar possuído pelo demônio’ ao tentar justificar o estupro de vulnerável cometido contra uma menina de apenas sete anos, neta da companheira dele.
Acontece que, obviamente, a história não colou e assim como outros presos nas mesmas circunstâncias, Alderi foi autuado em flagrante e encaminhado ao sistema prisional, de onde deverá ser levado para audiência de custódia ainda hoje, quarta-feira (18). Ele foi recolhido na manhã de ontem, terça (17), em um endereço na Rodovia PA-275.
A delegada informou à equipe de reportagem, nesta manhã, que foi a companheira de Alderi quem comunicou o crime à Polícia Civil na manhã de terça, embora o fato tenha sido flagrado na noite de domingo (15). Acontece que a mulher não sabia como proceder em relação à situação até ter sido orientada por outra pessoa, na noite de segunda (16), a procurar pela delegacia especializada.
Mesmo passados alguns dias, ao descobrir que a agressão sexual havia ocorrido mais de uma vez, conforme informou a própria vítima, a delegada optou por manter o homem preso. “Enquanto a avó foi tomar banho a criança estava sentada numa cadeira de balanço, brincando com o celular. Ele baixou a calça e a calcinha da criança e estava praticando sexo oral nela. A criança estava com os olhos lacrimejando e balançava as perninhas pedindo pra ele parar”, informou Ana Caroline.O filho de Alderi, também menor de 18 anos, entrou no local e surpreendeu o ato, repreendendo o pai. Em seguida, foi ao banheiro onde a avó da criança estava para relatar o que havia visto. A vítima, entretanto, se adiantou e contou tudo para a companheira do homem. “A avó perguntou para a criança se ele tinha feito alguma outra vez isso e a menina relatou que ele tinha feito isso várias vezes. Enquanto ela dormia, ele ia na cama, se ajoelhava e praticava sexo oral na criança”, disse autoridade policial.
Ana Caroline justificou realizar o procedimento flagrancial temendo que o acusado retornasse ao endereço. “Decidi efetuar a prisão dele pela reiterada prática do abuso, já que se ele retornasse para a casa poderia continuar praticando os abusos contra a criança. Ela foi ouvida e confirmou que o abuso já ocorria há tempos, que foram diversas vezes e ele está à disposição da Justiça”.
Questionada sobre o teor do depoimento de Alderi, Ana Caroline diz que um pastor – não identificado – chegou a ser chamado e ter orientado que o caso fosse omitido da Polícia Civil. “Ele confessou, falou que foi um momento de fraqueza, que estava possuído pelo demônio. Eles sempre colocam a culpa no demônio, nunca é deles. Estas pessoas não estão possuídas, é maldade delas. Ele relatou que chamaram um pastor e que esse orientou a não procurar a polícia porque tinha aplicado penalidade nele, mas quando isso acontece não se deve chamar pastor ou padre, tem que chamar os órgãos de proteção”, concluiu.
Luciana Marschall – com informações de Ronaldo Modesto – Correio de Carajás

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