O médico Afonso Ferreira Von Grapp vai permanecer recolhido no Centro de Triagem Masculino de Marabá (CTMM), em decorrência de prisão preventiva decretada hoje, quinta-feira (12), em audiência de custódia realizada pelo juiz Alexandre Arakaki, da 3ª Vara Criminal de Marabá, responsável pelos casos de violência doméstica. Von Grapp foi autuado em flagrante na noite de ontem, terça (11), por agressão à ex-companheira, Ananda Skibinsk, na Folha 32.

A vítima contou a reportagem que chegou com amigos em um bar e restaurante, próximo à Vila Militar, por volta das 21 horas. Algumas horas depois, próximo à meia-noite, o médico também chegou acompanhado. “Fingi que não vi, me mantive na minha mesa e uns 10 minutos depois, já estava tarde, decidi ir embora. Fui ao banheiro, voltei e me desviei porque ele tentou fazer um encontro entre a gente. Dei a volta por trás dos carros, peguei minha bolsa, me despedi dos meus amigos e fui para o carro”.

Ananda disse que quando estava chegando no veículo, escutou o médico a chamando. “Eu disse que a gente só ia se falar na Justiça porque tínhamos uma audiência hoje, às 15h30, por questões de difamação da parte dele. Ele me pegou pelo cabelo, me arrastou para o meio da rua, jogou o copo no meu rosto e me deu murros. O pessoal viu e veio socorrer. Foi tudo rápido e na hora meu rosto já ficou machucado”.

A Polícia Militar foi acionada e o médico acabou preso, sendo apresentado na 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil, onde foi autuado em flagrante à luz da Lei Maria da Penha. “Ele tinha bebido, mas ele não estava bêbado. Um rapaz no bar ainda informou que percebeu ele me acompanhando e achou estranho a forma como ele estava me olhando. Esse rapaz veio andando atrás e foi a primeira pessoa a chegar pra tirar ele de mim. Os clientes do restaurante apartaram, tiraram ele de mim”, acrescentou.

De acordo com Ananda, os dois se separaram em dezembro de 2017 e não via o médico desde então. “Estamos há muito tempo separados e não via ele pessoalmente. A gente não tinha contato mais. Em fevereiro me mandou mensagens e eu disse que na próxima vez eu daria parte, foi quando ele me deixou em paz. Ontem ocorreu isso e para mim foi uma surpresa a atitude dele, mas ouvindo alguns relatos depois ele sempre procurava saber notícias de mim, onde eu estava. Mas não pensei que podia acontecer”, finalizou.

O delegado plantonista William Crispim, responsável pelo procedimento, preferiu não arbitrar fiança no caso levando em consideração a embriaguez do acusado e a gravidade da ocorrência, com o intuito de resguardar a integridade física da vítima, já que ela teme pela própria segurança caso ele seja colocado em liberdade, deixando a decisão a cargo do Poder Judiciário, que decretou a prisão preventiva. Ao saber do resultado, a vítima afirmou que vai poder se sentir em paz ao menos por alguns dias.

Ela foi submetida ao exame de lesão corporal junto ao Instituto Médico Legal (IML) de Marabá. O Portal Correio de Carajás tenta identificar quem é o advogado responsável pelo caso do médico para colher a versão dos fatos e qual será o procedimento adotado pela defesa. 

Reportagem: Luciana Marschall – Corrio de Carajás

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