Em meio a todas as manifestações contra injustiças e assassinatos cometidos a pessoas negras, que estão sendo evidenciadas nas redes sociais, Marabá dá um pequeno, mas significativo passo no combate ao racismo, com o registro de um suposto caso de injúria racial cometido, também, por redes sociais.
Na manhã de segunda-feira, 1º de junho, os delegados de Polícia Civil, William Crispim e Márcio Maio, receberam uma denúncia de um delito de cunho racial, cometido na rede social Facebook, por volta das 9h da manhã.

Na publicação, a pessoa alega que se deve dar ‘dinheiro’ e não ‘moral’ para ‘pretos’, e que tem ‘raiva’ de pessoas ‘pretas’. Um print da postagem foi enviado para a PC, que logo diligenciou até o endereço do perfil, localizando o pretenso responsável em casa, no Bairro Belo Horizonte.
Ele recebeu voz de prisão e foi conduzido até a 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil. O delegado William Crispim informou com exclusividade á Equipe de reportagem que o flagranteado confessou ter feito a publicação, porém sem a intenção de ofender ninguém, e que a postagem era direcionada para uma mulher que não o estaria correspondendo, e por isso a chamou de ‘preta’.
Ele alegou que a mulher em questão não é negra, mas de qualquer forma isso não o exime de ter cometido uma injúria racial, que pode ter ofendido outras pessoas. Quaisquer publicações com teor racista devem ser denunciadas para a Polícia Civil, para que possamos coibir esse tipo de ato. A PC também vai investigar se a mulher em questão realmente não era negra”, finalizou o delegado William.
O delegado Márcio Maio explica que crimes de natureza racista são reprimidos com pena de dois a cinco anos de prisão, além de ser inafiançável. Segundo o Código Penal, em seu artigo 140, o crime de injúria racial está previsto no parágrafo 3º, e trata-se de uma forma de injúria qualificada, na qual a pena é maior.
O flagranteado ficou de passar, na manhã dessa terça-feira, 2, por audiência de custódia.
#BlackLivesMatter
Coincidentemente, com o contexto em que estamos, diversos internautas manifestam pedidos de justiça pelas pessoas negras que são mortas, agredidas ou ofendidas apenas pela cor de sua pele. Através da #BlackLivesMatter milhares de casos estão vindo a tona e diversos famosos e artistas estão se engajando com a campanha.
O movimento começou após o ex-segurança negro, George Floyd, ter sido morto, depois de ficar desacordado ao ser imobilizado por um policial branco nos Estados Unidos. Cidades e estados norte-americanos tiveram toque de recolher por causa de atos, que se espalharam por outros países.
Zeus Bandeira – Correio de Carajás